ROI DA SEGURANÇA: QUANTO CUSTA NÃO INVESTIR?
Durante muito tempo, a segurança foi tratada como uma linha inevitável de despesa no orçamento das empresas — necessária, mas pouco estratégica. Essa visão, no entanto, está ficando para trás. Hoje, a pergunta mais importante que gestores deveriam se fazer não é “quanto custa investir em segurança?”, mas sim: quanto custa não investir? A resposta, na maioria dos casos, é simples — e alta.
O varejo brasileiro, por exemplo, perdeu cerca de R$ 36,5 bilhões em 2024, segundo estudo da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a KPMG. Esse valor representa aproximadamente 1,5% do faturamento do setor. Pode parecer um percentual pequeno à primeira vista, mas estamos falando de bilhões que deixam de virar lucro.
Perdas operacionais, furtos, desvios internos, falhas de processo e ineficiências logísticas formam um conjunto de prejuízos silenciosos que impactam diretamente o resultado. O problema é que grande parte dessas perdas não é totalmente visível. E aquilo que não é medido dificilmente é controlado.
É aqui que entra o conceito de retorno sobre investimento (ROI) aplicado à segurança. Quando estruturada de forma inteligente, ela deixa de ser apenas proteção e passa a atuar como uma ferramenta de gestão. Tenho visto na prática como a tecnologia pode transformar esse cenário.
Plataformas de monitoramento online permitem que gestores tenham uma visão completa da operação, com acesso a dados e imagens em tempo real, independentemente de onde estejam. Isso significa sair de um modelo reativo, em que se age após o problema, para um modelo preventivo, em que é possível antecipar riscos e agir antes que o prejuízo aconteça. O impacto disso no ROI é direto.
Empresas que adotam soluções integradas de segurança conseguem reduzir perdas operacionais de forma relevante. Em muitos casos, vemos reduções entre 20% e 30%, o que representa milhões recuperados ao longo do ano.
Além disso, o comportamento do mercado mostra que essa mudança já começou. Hoje, 8 em cada 10 varejistas brasileiros planejam aumentar seus investimentos em tecnologia para segurança inteligente, impulsionados pela necessidade de proteger margens e ganhar eficiência.
Outro ponto fundamental é a escala. Com poucas unidades, o gestor ainda consegue “sentir” o negócio. Mas, à medida que a operação cresce, a falta de controle abre espaço para perdas significativas — muitas vezes invisíveis. É nesse momento que a centralização e o uso de dados fazem diferença. Ao integrar múltiplas unidades em uma única plataforma, a empresa ganha visibilidade, padronização e agilidade. Isso reduz custos e melhora a eficiência — dois fatores diretamente ligados ao retorno financeiro.
Mas talvez o maior ganho esteja na mudança de mentalidade. Empresas que passam a encarar a segurança como investimento começam a tomar decisões mais rápidas, baseadas em dados e com impacto direto no resultado. Segurança deixa de ser proteção passiva e passa a ser inteligência de negócio.
No fim das contas, o ROI da segurança não está apenas naquilo que se economiza, mas principalmente no que se deixa de perder. Ignorar isso pode sair caro. Porque, em um cenário de margens apertadas e alta competitividade, não investir em segurança inteligente não é apenas um risco operacional. É uma decisão financeira — e, muitas vezes, uma desvantagem competitiva.
