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PREVENÇÃO DE PERDAS NÃO É FISCALIZAÇÃO. É CUIDADO COM O NEGÓCIO

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Você já passou por isso:

Chegar em uma loja e sentir os olhares atravessados. O clima muda. As conversas cessam. Alguém solta:

“Melhor tomar cuidado, o auditor da  Prevenção tá aí.”

Ou:

“Ih chegou à Prevenção. Agora é melhor fazer tudo certinho” Ou pior:

“Eles só aparecem para procurar erro”.

Se isso acontece toda vez que você está em campo. Então pare imediatamente e reflita. Minhas ações estão ajudando a criar uma cultura de Prevenção de Perdas ou estou alimentando uma cultura do medo?

Sabemos o quanto  é injusto e contraproducente. Ainda carregamos o estigma de sermos “dedo duro”. Aqueles que vêm apenas para cobrar, delatar, criticar e reportar erro.

Mas está na hora de deixar isso para trás.

Prevenção de Perdas não é fiscalização. É cuidado com o negócio. É proteger o que sustenta a operação. É trabalhar junto com quem faz a loja acontecer.

Neste artigo, você vai entender por que essa imagem distorcida ainda existe, a ruptura que ela causa e, principalmente, como mudar essa percepção na prática, começando por quem mais importa: você, que está no campo todos os dias.

Importante: este artigo não trata da função de fiscal de loja, mas sim da percepção de fiscalização/auditoria dentro da atuação da Prevenção de Perdas.

ONDE NASCEU A IMAGEM DA ÁREA COMO FISCALIZADORA?

Vamos ser sinceros: parte dessa visão vem do nosso próprio histórico. No início da profissionalização da área, lá na década de 90 a Prevenção de Perdas era basicamente focada em apontar os erros e no controle rígido. Ou seja, auditar se os processos e procedimentos eram seguidos. Era comum encontrar equipes com um caderninho na mão (sim no início não havia checklists automatizados era tudo no papel), vasculhando e anotando tudo o que parecia estar errado.

O ato de identificar se os processos estavam aderentes se a operação estava executando de forma correta, não é errado. Que isso fique claro! Naturalmente,  gerava desconforto. A percepção era clara: “vieram aqui só para me vigiar”. E, infelizmente, em muitos casos, até por uma questão de desconhecimento do próprio colaborador da prevenção de perdas,  era mesmo essa a abordagem. Mais “policialesca”, vamos dizer assim.

O problema é que essa imagem se enraizou. E mesmo com a evolução dos processos, tecnologias e estratégias, o rótulo ficou. Ainda hoje, há operadores, líderes, gerentes de loja e até clientes internos que veem a Prevenção de Perdas como um setor apontador de erros,  com foco só na correção dos processos e não como parceiro estratégico do negócio.

POR QUE ESSA VISÃO É UM PROBLEMA?

Porque ela mina a colaboração. Quando a equipe operacional enxerga a Prevenção como “inimiga”, o diálogo se fecha. A informação não circula. Os erros se escondem. Os resultados não acontecem. A cultura de dono não floresce. E o pior: o time começa a achar que “prevenir perdas” é uma responsabilidade de um departamento específico, e não de todos.

Essa ruptura cultural gera impacto direto nos indicadores. Porque a prevenção não se faz apenas com processos, câmeras, checklists e inventários. Ela se faz com pessoas comprometidas, engajadas e conscientes da importância do seu papel.

Ah, isso quer dizer que a prevenção deve fechar os olhos, afrouxar os controles? Não! Quer dizer que a prevenção deve atuar de forma que o time operacional entenda o propósito e a enxergue, como parceira do negócio. Que todos estamos no mesmo barco.

COMO MUDAR ESSA PERCEPÇÃO DE VEZ?

Aqui vão 6 caminhos práticos para ressignificar a imagem da Prevenção de Perdas dentro da operação. Cada um deles já foi testado por mim em campo, com resultados concretos. Obviamente por questões de Compliance, os números apresentados são fictícios.

  1. Troque o "Fiscal / Auditor" pelo educador

Ao invés de chegar em uma loja com o olhar julgador, chegue com a intenção de ensinar. Lembre-se, é inevitável encontrar erros os ou achar que a operação rodará 100% sem problemas. Isso é utopia!

Exemplo prático: Ao identificar que caixas estão deixando produtos sem bipar por erro operacional, em vez de somente registrar a falha e cobrar um relatório, chame a equipe para uma conversa rápida. Mostre como esse erro afeta o lucro, a bonificação da loja e até a confiança do cliente. Torne o erro uma aula, não uma punição.

Promova minitreinamentos rápidos e práticos, direto no chão de loja. Use exemplos reais de perda e demonstre o impacto financeiro (R$), não só em porcentagem. Mostre o impacto que isso causa indiretamente para o colaborador... “Sabia que esse erro, se acontecer 10 vezes por semana, pode gerar R$ 1.000 em perdas por mês? Isso é o que daria pra contratar mais um operador ou reformar o refeitório.”

  1. Esteja presente, não apenas visível

A presença do profissional de Prevenção de Perdas precisa ser positiva e constante, não apenas nos momentos críticos.

Exemplo prático: Em vez de visitar a loja só em dias de inventário ou após uma ocorrência, crie uma agenda positiva de visitas em datas aleatórias para conversar com o time, ouvir suas dores e até ajudar em pequenos ajustes operacionais.

Participe das reuniões de abertura de loja com mensagens de prevenção.  Ajude a conferir um pallet. Faça perguntas simples, como “o que mais te atrapalha no dia a dia que pode gerar perda?”.  Demonstre interesse genuíno pelo funcionamento da loja, pelo dia a dia do colaborador, vá além das perdas.

  1. Use uma comunicação humana e acessível

Falar difícil não te faz mais respeitado e não cria autoridade. Te faz mais distante. Evite jargões. Use palavras simples, diretas, que conectam.

Exemplo prático: Ao invés de dizer “precisamos mitigar as perdas oriundas de processos ruptura causada por processo ineficiente de conferência”, diga:

“Se o caminhão chega e a gente não confere direito, a gente pode estar aceitando mercadoria errada e pagando por produto que nem veio.”

Use termos simples, objetivos e que façam sentido para quem está na operação. Lembre-se nem todos conhecem os termos técnicos no varejo, para muitos pode der o seu primeiro contato com esse mundo.

Traga analogias do dia a dia: “produto perdido é como jogar dinheiro no lixo”.

  1. Crie um clima de Confiança, não de medo

Mostre que você está ali para ajudar a loja a vender mais com menos perda. O colaborador precisa sentir que pode contar com a Prevenção, não que será simplesmente punido por ela. Não aplique a cultura do medo, do tipo se você não fizer direito esse processo, vou “canetar” e informar seu gestor.

Exemplo prático: Monte um time de Guardiões da Loja. Convide os colaboradores  a sugerirem melhorias de processo. A Prevenção vira orientadora / educadora, não só auditora. Se alguém te chamar para relatar um erro cometido, evite o tom punitivo. Reforce a importância da transparência e valorize a atitude de assumir a falha. Crie em conjunto um plano de ação, para que o erro não volte acontecer dando a oportunidade de melhoria.

Instale canais de escuta interna ou caixas de sugestões. Valorize atitudes preventivas em público, e não apenas os erros.

  1. Mostre resultados, não só regras

Nada muda mais a mentalidade de uma equipe do que ver que aquilo que estão executando funciona. Números contam histórias, e ajudam a quebrar resistências.

Exemplo prático: Depois de implementar um novo processo de conferência no recebimento, traga números: “reduzimos em 60% as divergências com fornecedor nos últimos 2 meses. Isso deu um impacto positivo de R$ 12 mil no estoque!”

Crie um painel visual com indicadores da loja relacionados à perda. Compartilhe isso nas reuniões. Transforme acertos em inspiração. Demonstre que há espaço para melhorias efetivas.

  1. Traga a Liderança para o Jogo

Você pode ser o melhor agente de cultura do mundo. Mas se a liderança da loja, CD, Fábrica,  Escritório, reforçar a visão de “Prevenção fiscalizadora”, todo o esforço afunda.

Exemplo prático:  Envolva gerentes / responsáveis nas conversas sobre prevenção. Ao final do dia de trabalho na unidade, chame a gestão e apresente um relatório sintetizados com os principais pontos a melhorar e reconhecendo aqueles que estão fazendo com excelência.

Essa prática reforça a transparência do trabalho e envolve a liderança no processo contínuo de melhoria, criando um senso de responsabilidade compartilhada. Além disso, valoriza o papel estratégico dos líderes na prevenção, fortalece a cultura de dono e estimula atitudes proativas no cuidado com os recursos da empresa.

A CULTURA DE PREVENÇÃO DE PERDAS É UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA

A Prevenção de Perdas não é (e nunca deveria ter sido) um setor à parte, que observa de fora o que os outros fazem. Ela é parte viva do negócio. Uma ponte entre o processo e o resultado. Entre o risco e a proteção. É uma área estratégica que atua diretamente na melhoria do resultado operacional e financeiro.

Mas essa transformação de imagem só vai acontecer quando nós, profissionais da área, assumirmos o protagonismo dessa mudança. E isso começa pelo jeito que nos comportamos, comunicamos e nos relacionamos com os times.

Quem está na linha de frente , seja em uma loja, em um CD, Fábrica, ou em um escritório, precisa sentir que você está com ele, e não contra ele.

Concluo com uma afirmação: Já passou da hora de aposentarmos de vez o estigma dos “fiscalizadores”, e passarmos a sermos vistos como parceiros e protetores do lucro!  E essa nova identidade começa com atitudes simples, práticas e humanas.

Se esse artigo fez sentido pra você, compartilhe com outros profissionais da área. Vamos juntos ressignificar a Prevenção de Perdas no Brasil.

Me conta você já viveu uma situação em que a Prevenção foi mal interpretada? Como lidou com isso?

 

Por André Ferraz Ochoa

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