Futuro estratégico da prevenção de perdas e os movimentos do varejo
A prevenção de perdas no varejo vive um momento decisivo de transformação. Durante muitos anos, o tema (mais votado da reunião de membros da Abrappe) foi tratado de forma operacional, associado quase exclusivamente ao controle de furtos e inventários. No entanto, as profundas mudanças no comportamento do consumidor, o avanço acelerado da tecnologia, a integração entre canais físicos e digitais e a pressão constante por margens mais eficientes estão reposicionando a prevenção de perdas, mais especialmente a partir dos anos de 2010, como uma função estratégica essencial para a sustentabilidade do varejo.
O futuro da prevenção de perdas está diretamente conectado aos movimentos do varejo moderno, que exige decisões rápidas, baseadas em dados, com visão sistêmica do negócio. Nesse novo cenário, prevenir perdas deixou de ser apenas reduzir quebras e passou a significar proteger resultados, garantir eficiência operacional, fortalecer a experiência do cliente e apoiar o crescimento saudável das empresas. E, claro, é importante destacar o surgimento de pesquisas sobre o tema, que ganharam ainda mais profundidade com a criação da Associação Brasileira da Prevenção de Perdas (Abrappe) em 2018.
O varejo enfrenta hoje desafios cada vez mais complexos. O aumento do autosserviço, a expansão do self-checkout, o crescimento do e-commerce, o modelo omnichannel e a maior sofisticação das fraudes ampliaram significativamente os riscos. Ao mesmo tempo, o consumidor está mais exigente, menos tolerante a atritos e muito atento à experiência de compra.
Prevenção de perdas no centro das decisões
Esse equilíbrio delicado entre segurança, fluidez e rentabilidade coloca a prevenção de perdas no centro das decisões estratégicas do varejo. Ou pelo menos deveria colocar. Nesse contexto, o profissional de prevenção de perdas deixa de atuar apenas na execução de processos e passa a exercer um papel analítico e consultivo. O uso inteligente de dados se torna indispensável.
Ferramentas de análise preditiva, inteligência artificial, reconhecimento de padrões e integração de sistemas permitem antecipar riscos, identificar vulnerabilidades e atuar preventivamente, em vez de apenas reagir aos problemas após o impacto financeiro já ter ocorrido.
Outro movimento relevante do varejo que molda o futuro da prevenção de perdas é a integração entre áreas. Não é mais possível tratar perdas de forma isolada – aqui entra o conceito de perda ampliada, tão defendida pela Abrappe. Elas estão diretamente relacionadas à logística, ao abastecimento, à precificação, à gestão de pessoas, à experiência do cliente e à estratégia comercial. Empresas que avançam nesse sentido entendem que a prevenção de perdas deve estar presente desde o planejamento até a execução, participando das decisões que afetam processos, layout de loja, políticas comerciais e uso de tecnologia.
Futuro do varejo exige profissionais preparados
A transformação digital também redefine as competências necessárias. O futuro da prevenção de perdas exige profissionais capacitados para interpretar dados, compreender indicadores financeiros, dialogar com áreas de tecnologia e traduzir informações técnicas em decisões de negócio. Mais do que controlar, é preciso influenciar. Mais do que apontar problemas, é necessário propor soluções viáveis, alinhadas aos objetivos estratégicos da organização.
O varejo que se prepara para o futuro entende que a prevenção de perdas é um investimento e não um custo. Reduzir perdas de forma sustentável impacta diretamente a rentabilidade, melhora a competitividade e fortalece a confiança de investidores e parceiros. Além disso, ambientes mais seguros, organizados e eficientes refletem positivamente na experiência do cliente e na motivação das equipes, criando um ciclo virtuoso de resultados.
Abrappe disseminando conhecimento e aprendizado
Outro aspecto fundamental é a evolução do papel das entidades representativas, como a Abrappe, na disseminação de conhecimento, boas práticas e inovação. Em um cenário de rápidas mudanças, o compartilhamento de experiências, o acesso a estudos, pesquisas e benchmarks se tornam diferenciais estratégicos para o varejo. A construção de uma visão coletiva sobre o futuro da prevenção de perdas fortalece todo o setor e acelera sua maturidade.
O futuro aponta para uma prevenção de perdas cada vez mais estratégica, integrada e orientada por dados. Empresas que resistirem a essa evolução tendem a enfrentar maiores índices de perdas, ineficiência operacional e dificuldades para competir em um mercado altamente dinâmico. Por outro lado, organizações que incorporarem a prevenção de perdas como parte do planejamento estratégico estarão mais preparadas para enfrentar riscos, aproveitar oportunidades e crescer de forma sustentável.
Diante dos movimentos do varejo, o desafio não é apenas acompanhar as mudanças, mas antecipá-las. A prevenção de perdas do futuro será aquela capaz de enxergar além do controle, atuando como um pilar estratégico de proteção de resultados, inovação e geração de valor. É esse olhar que permitirá ao varejo evoluir com segurança, eficiência e visão de longo prazo.
